terça-feira, 11 de junho de 2013

Metrô de SP é cenário para paixões relâmpago e para álbum de casamento

Hélio Hayashida, 38, e Yuri Joyce de Abreu, 28, se casaram em 2011 e fotografaram na estação Carrão, onde namoravam

Fonte: Folha de São Paulo

Todos os dias, a estudante de relações internacionais Samara Rizzo, 18, recebe até cem declarações de amor pelo Facebook.

Mas ela avisa: é só a mensageira. Samara virou uma espécie de pombo correio do século 21. Ela publica na internet relatos de paixões despertadas nas duas horas e meia que o paulistano gasta, em média, nos deslocamentos diários pela cidade, segundo pesquisa da Rede Nossa São Paulo.

Ela criou a página Spotted: Metrô SP (facebook.com/metrospotted), com 7.500 fãs e o slogan "procure aquela pessoa que ocupou seu coração por algumas estações". Desde abril, foram quase mil histórias de gente que se apaixonou no metrô (usuários de ônibus e trem também aderiram).

A cantada é pública, mas o autor fica anônimo (veja exemplos no final da reportagem). "Se preciso, só corrijo alguns erros de português", conta ela, que também é responsável por outra página pop na rede social, a São Paulo da Depressão --sobre perrengues como o frio e a greve dos professores.

Deprimidos podem ficar, também, os românticos dos trilhos. A chance de a flecha acertar o alvo é muito rara. Apenas cinco pessoas escreveram a Samara para contar que acharam quem procuravam. "Mas não sei se esses casos deram certo", conta.

"Fica mais fácil quando a pessoa está com um uniforme, alguém pode saber onde ela estuda ou trabalha."

Têm mais chance de dar certo iniciativas semelhantes em faculdades como PUC e USP, que têm espaços virtuais para estudantes descreverem suas paixões. Nesse caso, amigos em comum podem ajudar a identificá-las.
Cristiane Leão da Silva, 28, e Wagner Bernardo, 37, fizeram fotos de seu casamento em Guilhermina-Esperança em 2010
ASIÁTICAS E LOIROS
Fazem sucesso na Spotted: garotas asiáticas, homens loiros e funcionários da linha 4-amarela. O affair é tanto que, às vezes, tipos menos cortejados não deixam barato.

Como a usuária que protesta: "Loira, morena, loira, morena. Desse jeito fica difícil, pessoal! Cadê os amantes de ruivas artificiais e naturais?". Ou um outro internauta cabisbaixo: "Uma mençãozinha aqui ia levantar o ego".

Mas há casos em que o flerte anônimo assusta. A designer Laura (nome fictício), 24, estava a caminho do trabalho e notou que um rapaz a olhava e fazia anotações.

Ela desceu em Pinheiros e, horas depois, viu seu nome na internet -fora identificada por uma amiga. "Fiquei paranoica durante uma semana e comecei a sair em outros horários."

O psicólogo Ailton Amélio, especializado em relacionamentos, diz que é normal "ficar com o pé atrás, pois a pessoa pode ser perigosa. O mais comum é conhecer alguém em 'paqueródromos' como as baladas".

Amélio fala de um "kit de segurança" para desconhecidos. "Peça telefone antes, marque encontros em locais públicos e não revele muitas coisas a seu respeito."

Longe do anonimato virtual, vários casais se formam nesse vaivém. Segundo o metrô, as estações com mais "pegação" estão próximas a colégios e faculdades, como Palmeiras-Barra Funda, São Joaquim, Sé e todas as da avenida Paulista.

Os estudantes Rubens, 17, e Vanessa, 18, namoram há um ano e se veem todos os dias na estação Ana Rosa. Ele vem de uma faculdade na Consolação, e ela, da Vila Mariana. "É dentro do metrô para não ter que sair e pagar passagem de novo", diz Vanessa.

A assistente comercial Yuri Joyce de Abreu, 28, e o diagramador Hélio Hayashida, 38, também usaram o meio de transporte para se conhecer. Eles eram colegas de trabalho, mas mal se falavam na empresa. Só que voltavam juntos, e o trajeto que durava uma hora triplicou --ficavam de papo na catraca do Carrão, destino dela.

E aí a coisa andou: Joyce terminou um noivado de cinco anos e casou-se com Hélio no mesmo ano, 2011. Fizeram questão de fazer as fotos do casório no metrô.

A estação Guilhermina-Esperança serviu de cenário para o álbum de casamento da secretária Cristiane Leão, 28, e do bancário Wagner Bernardo, 37. O primeiro encontro foi às cegas, marcado por meio de uma amiga em comum, na estação Tatuapé, em 2008.

"Ele disse como ele era, e eu disse como eu era. Quando nos vimos, já nos beijamos. Depois pegamos o metrô de novo para ir a um bar na zona sul", lembra Cristiane.

Em maio, o metrô de Praga, na República Tcheca, anunciou que terá um vagão especial para solteiros. O Metrô de São Paulo diz que não cogita essa ideia, mas há quem sonhe com isso.

"Uma paixão a cada dia na linha verde. Se tivesse correio elegante e música ao vivo, acho que eu ia e voltava umas duas vezes por dia", diz um recado na Spotted.

Um comentário:

Gerson Rigras disse...

Que matéria mais divertida!!! Muito legal, o fato dos casais Yuri & Hélio e Cristiane & Wagner, tornarem o Metrô não apenas como meio de transporte, mas como fato marcante para a vida dos dois. Milhares de pessoas iniciam relacionamentos desta forma, sejam amizades ou mesmo namoros, que se transformam em casamentos e, se duvidarmos, estas relações são umas dos mais duradouras (pelo menos se depender da alegria dos noivos apresentados aqui, a união será eterna) Sucesso a todos!!!

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