segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Metrô prevê outro monotrilho para a extensão da linha 6-Laranja


Fonte: R7

A linha 6—Laranja do Metrô de São Paulo — entre Brasilândia, na zona norte, e o centro da capital — nem começou a ser construída e o governo do Estado já fala em estendê-la. Na quarta-feira (30), no evento que lançou o edital para as obras do empreendimento, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que estuda alongá-la até a rodovia dos Bandeirantes, na zona norte. Esse ramal, com 6 km de extensão, deverá ser um monotrilho, diferentemente do trecho inicial de 15,9 km e 15 estações, todo de metrô convencional. Será o 4.º monotrilho previsto para funcionar na cidade.

— Já estamos desenvolvendo o projeto de mais cinco estações.

O governador afirmou que a escolha do modal monotrilho se deve pelo fato de esse tipo de obra ser mais rápida de ser executada que um sistema metroviário comum. Além disso, Alckmin alegou que a quantidade de passageiros não será tão grande.

— Como é final da linha, você não tem mesma demanda.

As paradas mencionadas na quarta-feira (30) são Morro Grande, Velha Campinas, Centro de Convenções Pirituba, Vila Clarice e Bandeirantes. Mas o governo frisou que o benefício para os moradores dessa região da cidade, carente de transporte público de qualidade, só se materializará nesta década se São Paulo for escolhida a sede da Feira Mundial de 2020 — o terceiro maior evento do planeta, atrás apenas da Copa da Fifa e da Olimpíada. O resultado deve sair no fim deste ano.

Isso porque o provável monotrilho passaria pelo centro de exposições que o poder público quer construir em um terreno de 5 milhões de metros quadrados em Pirituba, na zona norte. Esse complexo será a sede da Expo 2020, caso a cidade seja eleita.

O secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou que, se essa extensão da linha sair do papel, a Estação Vila Clarice da Linha 7—Rubi da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) será reformulada, ganhando uma terceira plataforma, só para trens usados nos eventos da feira. O dirigente disse que se São Paulo perder a Expo 2020 terá "de repensar as prioridades" para fazer esse ramal.

Mas quem vive na região reclama da atual rede de transportes sobre trilhos, restrita à Linha 7. Um morador gritou sua frustração ao governador. 

— O senhor tem de pegar o trem para saber, é péssimo!".

Outra estação da Linha 6—Laranja pode ter a sua localização final alterada pelo Metrô. Trata-se da parada Brasilândia, a ser construída na Estrada do Sabão, na zona norte. Moradores do bairro querem evitar um número grande de desapropriados e, para isso, solicitaram ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) o deslocamento da obra para um terreno a150 metros do previsto no projeto.

É o que explica Walter Giacon, diretor da Sociedade Amigos do Jardim Guaraú e Gonçalves Centeno, que conseguiu uma audiência particular com Alckmin na manhã de quarta-feira (30) na Escola Estadual Cacilda Becker, onde houve a cerimônia para o lançamento do edital para a construção da linha.

— Tem como fazer essa estação sem desapropriar 300 famílias em dois quarteirões.

Ele explicou que o número de imóveis afetados pelo decreto de utilidade pública, editado em maio de 2012, é menor que a quantidade real de residências existentes no espaço destinado à Estação Brasilândia.

— São 80 casas, mas cada uma delas tem vários puxadinhos. Na minha própria casa existem cinco famílias.

Depois da pressão de Giacon, o Metrô agendou para esta quinta-feira uma reunião entre seus técnicos e representantes do bairro.

— O governador foi muito atencioso e colocou o Metrô para nos ouvir e rever essa situação. Ele mesmo disse que ainda dá tempo.

A intenção é fazer com que as obras ocupem um terreno vazio de 14 mil metros quadrados, poucas quadras mais para cima, na Estrada do Sabão.

— Fora que ali a densidade demográfica é maior, de 13,5 mil pessoas por quilômetro quadrado, sendo que no entorno de onde queriam fazer a estação são 6,5 mil.

Giacon diz que a associação entrou com representação no Ministério Público.
 
Angélica
Em 2011, alguns moradores de Higienópolis, na região central, reclamaram da localização da Estação Angélica, na mesma linha. Tempos depois, o Metrô a retirou da esquina da rua Sergipe. A empresa nega relação com a queixa de vizinhos.

Em nota, o Metrô informou que só o projeto executivo feito pela vencedora da licitação da Parceria Público-Privada da Linha 6, a ser definido neste ano, "trará o detalhamento de quais terrenos efetivamente serão desapropriados".

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