terça-feira, 27 de novembro de 2012

Tesouro arqueológico é encontrado nos arredores da estação Faria Lima


Fonte: Diário de São Paulo

Os 600 mil passageiros que transitam todos os dias pela Linha 4- Amarela do Metrô de São Paulo não imaginam que na região onde se situa a Estação Faria Lima, na Zona Oeste, escondia-se um verdadeiro tesouro.

Durante as obras de reconversão urbana do Largo da Batata, onde está a estação, descobriu-se um sítio arqueológico, onde foram coletadas cerca de 30 mil peças do século 19.

O arqueólogo responsável pelo trabalho, Plácido Cali, finaliza um relatório que levou três anos para ficar pronto e deverá ser entregue no início do ano para o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

O DIÁRIO teve acesso ao documento e publica com exclusividade trechos que revelam a importância do material coletado. O sítio arqueológico Pinheiros localiza-se em terreno na esquina das ruas Paes Leme e Fernão Dias, em frente à Igreja Nossa Senhora de Monte Serrat, na Zona Oeste.

“Devido à sua localização, próximo ao Largo de Pinheiros e em frente à igreja, no século 19 existiam no local casas e estabelecimentos comerciais”, diz o relatório. “Esse povoamento teve suas origens no século 16, a partir da formação do Aldeamento dos Pinheiros, constituído pelos jesuítas atraindo indígenas que se estabeleceram no entorno da Capela de Nossa Senhora da Conceição.”

Ainda de acordo com o relatório, “o Sítio Arqueológico Pinheiros permite-nos conhecer um pouco do cotidiano dessas famílias, seus hábitos alimentares, os padrões de consumo, os tipos de habitações, bem como as atividades comerciais presentes no local, em especial os tradicionais bares que há 150 anos existiam na Rua Teodoro Sampaio”.

No inventário das peças recolhidas, o arqueólogo Plácido Cali afirmou que os objetos encontrados são, predominantemente, de uso doméstico, como louças, garrafas de bebidas, de perfumes e de remédios, além de potes de cerâmica. Quase todas as peças eram importadas da Inglaterra, havendo ainda louças e frascos de bebidas provenientes da Holanda, da França, da Alemanha e de Portugal. “Havia ali uma antiga taberna”, explicou Cali.

Prefeitura tentou desqualificar conjunto de objetos achados
A Prefeitura de São Paulo e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que é ligado ao governo federal, entraram em verdadeira  guerra por causa do sítio arqueológico descoberto nas obras de revitalização do Largo da Batata.

Em 2009, quando o sítio foi descoberto, a Prefeitura convocou jornalistas para tentar mostrar que os objetos encontrados no local não passavam de utensílios domésticos  dos anos 1950, de valor histórico nulo.

A Prefeitura tentou desqualificar  o material porque parte das obras de revitalização do Largo da Batata ficou paralisada justamente por causa do sítio arqueológico, o que atrasaria as inaugurações.

O Iphan recebeu denúncia de que no local havia material histórico e determinou que os trabalhos ficassem suspensos até que toda a área fosse analisada. Durante a análise verificou-se que os objetos encontrados  a cerca de um metro da superfície foram fabricados quase 200 anos atrás na Europa e eram, portanto, de imenso valor histórico.

Pote do século 16 foi recolhido em plena Avenida Faria Lima
São Paulo tem 50 sítios arqueológicos conhecidos ao redor da sua região metropolitana.
A cerâmica mais antiga da capital foi encontrada em plena Avenida  Faria Lima, na Zona Oeste. Trata-se de um fragmento de pote da época da fundação da cidade, em 1554, achado na área onde existiu uma antiga casa bandeirista do Itaim.

Na região da Luz, no Centro, em outro sítio descoberto, foram resgatadas peças de cozinha de 200 anos. Na Lapa, na Zona Oeste, os achados são cerca de 30 mil peças da Santa Catharina, primeira fabricante de louças brancas da América do Sul.

Foi na área da Praça das Artes, um complexo cultural  construído atrás do Teatro Municipal, no Centro, que um grupo de arqueólogos encontrou xícaras, cachimbos, frascos de remédio e brinquedos, como soldadinhos de chumbo, de meados do século 19.  Como não havia coleta de lixo na cidade, restos do lixo doméstico contendo tudo o que havia quebrado e não era mais útil aos moradores era enterrado.

Legislação determina inspeção arqueológicaEm 1986, o Conselho Nacional do Meio Ambiente publicou uma resolução que obriga os estudos de impacto ambiental a desenvolverem atividades técnicas que contemplem “os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade”. Desde essa data, obras de grande porte e em regiões de potencial histórico passam por inspeção.
 
Exigência esquentou setor de arqueologia
A determinação mudou o trabalho de campo dos arqueólogos. Em 1991, cinco estudos de campo foram realizados no país. O número saltou para 756 em 2009. Em 2010 já eram 969 e o número não para de crescer, alavancado pela expansão da construção civil.

Um comentário:

Mário Simabukuro Filho disse...

sabemos da importância do progresso mas a sociedade deve preservar sua história e registrar isso para posteridade.

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