quinta-feira, 26 de julho de 2012

Portas de Plataforma - Parte 1

Estação Vila Prudente, Linha 2-Verde
Fonte: Brasil Engenharia
Por Renato Ferreira da Costa

No sistema metroviário, busca-se sempre um transporte que alie segurança, rapidez e eficiência. É sabido que algumas plataformas do Metrô de São Paulo apresentam ocupação elevada, apesar de terem sido projetadas segundo critérios internacionais. Essa ocupação é consequência da posição estratégica da estação no sistema, somada a outros fatores, como existência de intergração entre linhas do próprio Metrô ou da CPTM, presença de terminais de ônibus, empreendimentos associados, além de aumentos sazonais de demanda - feriados, por exemplo - e, ultimamente, ao incremento generalizado do número de usuários devido ao aquecimento econômico e advento do passe integrado - Bilhete Único.

A aglomeração nas regiões de plataforma possui grande potencial para gerar alguns problemas básicos de operação nas estações, tanto na chegada quanto na partida de trens, podendo aumentar os atrasos e gerar maior número de pessoas em espera nas plataformas das estações de uma dada linha, como por exemplo: queda de objetos ou pessoas na via, alteração do modo de condução dos trens de ATO (automático) para MCS (semiautomático), por parte do operador; subordinação do fechamento das portas e início da movimentação dos trens ao operador. Com o objetivo de garantir a segurança dos usuários e a performance do sistema, sem alteração do headway (intervalo entre trens), foram analisadas as tratativas de outras operadoras e recomendações da Associação Internacional de Transporte Público (UITP), sendo constatado que a utilização de portas de plataforma se apresenta como uma solução neste sentido.

A adoção de portas de plataforma é uma tendência observada em sistemas metroviários de todo o mundo - em especial na Ásia e na Europa - para promover o fluxo organizado de passageiros, o aumento da segurança, melhor qualidade de climatização nas estações e a viabilização de sistemas de condução driverless. Um sistema de portas de plataforma é capaz de segregar as regiões de via e de plataforma, evitando o acesso indevido dos usuários aos trilhos tanto nas estações quanto nas regiões de túneis. O mercado fornecedor dispõe de modelos de portas de plataforma com características variadas de funcionalidade, design, instalação e custo.

Acesso ao trem
Um sistema de portas de plataforma (mais comumente denominado PSD - do inglês Platform Screen Doors) é composto basicamente por painéis fixos, portas de final de plataforma e painéis de alimentação e controle. Funcionalmente, suas portas motorizadas abrem e fecham em sincronismo com as portas do trem, que está necessariamente estacionado na plataforma. Como requisito básico de segurança, o trem só pode partir quando as portas de plataforma estiverem fechadas e travadas. Existem dispositivos para detectar a presença de pessoas entre as portas de plataforma e o trem. As fachadas se estendem por todo o comprimento de plataforma e são compostas basicamente de perfis metálicos e painéis de vidro com alta resistência. No interior do ''header box'' (cabeçote que se estende por toda a fachada em sua parte superior), estão os motores das portas e seus módulos de controle e alimentação elétrica. O sistema deve possuir índices de confiabilidade e disponibilidade compatíveis com os demais sistemas, de modo a não afetar a movimentação de trens em caso de falhas ou de emergência e, também, um sistema de monitoração e diagnóstico adequado para indicar e manter registradas as condições de falha do sistema e agilizar os trabalhos de manutenção.

Pelas experiências já proporcionadas nos sistemas metroviários que o implantaram, o sistema PSD apresenta uma série de vantagens: redução de ocorrências de incidentes; queda de objetos na via, queda de usuários; arrastamento etc.; melhorias para o fluxo de embarque nas plataformas; impedimento do acesso às regiões de túnel a partir da plataforma por pessoas não-autorizadas; redução do desconforto causado pelo ''efeito pistão'' (grande movimentação de ar originada pela entrada ou saída dos trens); redução de ruído nas plataformas; otimização dos postos de serviços operacionais, permitindo maior disponibilidade de pessoal; minimização dos custos de limpeza da via nas regiões de estação; redução de riscos de incêndio causados por detritos caídos na via; otimização da movimentação dos trens nas regiões de plataforma, com embarques e desembarques mais ágeis, evitando o impedimento do fechamento das portas. maior flexibilidade e clareza na comunicação visual das estações, com a possibilidade das áreas de embarque através da colocação de mapas e sinalizações visuais e sonoras de fechamento de portas; maior segurança para o embarque de pessoas com deficiência; completa automatização na movimentação dos trens, permitindo a futura implantação de um sistema driverless, bem como o despacho automático de trens aos pátios.

Amanhã, a segunda parte desta matéria especial.

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Um comentário:

ALEXANDRO disse...

o metro planeja colocar portas de plataformas em todas suas estações? ou somente nas futuras a serem inauguradas?

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