quinta-feira, 5 de julho de 2012

Monotrilho da Linha 18-Bronze já causa divergências no ABC


Fonte: Diário Regional

O pesquisador pelo Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em planejamento e mobilidade urbana Adalberto Maluf Filho afirmou que o monotrilho que o governo do Estado está planejando construir no ABC (a futura linha 18-Bronze do Metrô vai ser construída em uma estrutura elevada e vai ligar o bairro Alvarenga, em São Bernardo

A estação Tamanduateí, em São Paulo) pode fadar a região a uma situação de baixíssima produtividade. A afirmação foi feita ontem (26), durante o seminário Transporte Coletivo: Sustentabilidade, Mobilidade e Saúde, promovido pela Metra, empresa que concessionária que opera o Corredor ABD e pela Eletra, empresa brasileira que desenvolve tecnologia de tração elétrica para ônibus urbanos.

O especialista afirmou que o projeto, por ser elevado, tem um impacto muito grande do ponto de vista urbanístico e que talvez, se fosse pela superfície, provavelmente teria um custo benefício muito maior. Maluf Filho citou os custos muito elevados com a operação do sistema depois de pronto como um dos principais problemas desse tipo de projeto. “Países da Europa que hoje estão endividados desenvolveram grandes projetos de metrô há alguns anos e hoje não têm o dinheiro para a manutenção e operação”, declarou.

“O projeto começou orçado em R$ 2 bilhões, já está em R$ 4 bilhões, e não vai ficar pronto por menos de R$ 5 bilhões. Um investimento desses, para 100 mil, 200 mil usuários, é um custo muito alto per capita, e vai deixar desamparada toda a sociedade, porque o poder público vai estar gastando por 10, 20 anos, com sua manutenção, em detrimento de outros investimentos”, avaliou.

Na opinião do pesquisador, o projeto não vai sair do papel. “A cada dez anos a ideia de um sistema para ligar o ABC ao metrô ressurge. Porém, na hora que a conta for finalizada, o Ministério Público e todas as entidades de controle vão fazer questionamentos em relação aos custos de operação. Duvido que existam empreendedores privados dispostos a investir tantos recursos na compra do material rodante e de operação sem garantia mínima de tarifa e de usuários, uma vez que o Estado já afirmou que não haverá subsídios”, finalizou.

Falta de conhecimento
O secretário de Transportes e Vias Públicas de São Bernardo, Oscar José Gameiro Silveira, afirmou que o pesquisador da USP não tem conhecimento sobre o projeto para fazer críticas. “Nunca se falou R$ 2 bilhões. A escolha da tecnologia aconteceu no fim do ano passado e ele (Maluf) não participou. Está falando mal de um projeto que não conhece, isso é muito ruim”, rebateu.

Silveira explicou que foram muitas discussões para encontrar a solução adequada e que pesou a falta de espaço no viário da cidade para implementar um modelo de transporte de média capacidade em superfície. “Acredito que deve ter algum estudo econômico para apostar que não vai dar certo. Devia compartilhar com a gente. As pessoas que estão participando do empreendimento não são irresponsáveis”, finalizou.

Projeto vai contar com investimentos do PAC
O projeto do Monotrilho Estação Tamanduateí-São Bernardo foi escolhido em abril deste ano como uma das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de Mobilidade Urbana. O projeto do Estado de São Paulo tem valor total de R$ 4 bilhões, sendo que R$ 1,276 bilhão sairão de financiamento da Caixa Econômica Federal e mais R$ 400 milhões do Orçamento Geral da União. A contrapartida do Estado será de R$ 2,397 bilhões.

A Linha 18-Bronze atenderá os polos industriais e de serviços da Região Metropolitana de São Paulo, os municípios de São Caetano, São Bernardo e Santo André. A obra também ligará importantes polos educacionais, como o Instituto Mauá de Tecnologia, Uniban, Faculdade de Medicina de Santo André, Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), Fundação Santo André e a Universidade de São Caetano do Sul.

O trajeto será de 20 quilômetros, que deverão ser percorridos em 35 minutos. Estão previstas 19 estações, que atenderão o Jardim São Caetano e Mauá, em São Caetano; Vila Palmares, Sacadura Cabral, Vila Scarpelli e Jardim Bom Pastor, em Santo André. Passará, ainda, pelo Baeta Neves, Centro, Ferrazópolis e Alvarenga, em São Bernardo. A Linha 18-Bronze terá mais quatro terminais integrados.

2 comentários:

Gustavo Abrell disse...

Diego, existe mais alguma novidade da entrega do estudo e implementação desta linha?

Unknown disse...

Gostaria de monstrar minha indignação com a total irresponsabilidade
da prefeitura com o planejamento urbano da regiao central de SBC. Como
morador em um condominio recem enregue na aldino pinotti me sinto
lesado. Se a prefeitura queria passar um monotrilho por ali, porque
licenciou a construcao de tantos condominios na regiao. Foram estes
condominios que pagaram pela reurbanizacao do centro - que sera jogada
pela descarga com o monotrilho.

Quem diz que isto é frescura não entendeu as lições dadas pelo
minhocão em são paulo - poluição visual e sonora são intimimamente
ligadas a baixa em qualiade de vida e consequente degradação do
entorno. Entorno este, em SBC, que foi bancado por gente como eu - que
sinto que fui feito de idiota pela prefeitura!

A incopetencia no planejamento urbano de SBC foi materia recente em outra reportagem

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/62226-monotrilho-vai-trombar-com-linhas-de-alta-tensao.shtml

Não menos importante é o fato de que o monotrilho é uma
monstruosidade arquitetonica - não conhco
nenhuma cidade europeia ou amaricana (e ja vivi 10 anos fora do brasil
em 03 continentes diferentes) que aparece bem em ranking de qualidade
de vida que tenha um monotrilho nos moldes propostos. O japao é um
caso particular - tem a polulacao de 130M em uma ilha!
Poderiamos SIM, usar o corredore de onibus com um maquinario mais
eficiente como é feito em Munique e Portland (para citar dois
exemplos).

Que estes fatos sejam lembrados ao prefeito reeleito.

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