terça-feira, 24 de julho de 2012

Características do sistema CBTC no Metrô de São Paulo

Trens da Linha 2-Verde realizam testes regulares de CBTC aos fins de semana
Fonte: Brasil Engenharia
Por: Carlos Alberto de Freitas Timóteo

O projeto do sistema CBTC para o Metrô de São Paulo, denominado pela Alstom de Urbalis Evolution, está sendo desenvolvido de forma a incorporar novas funcionalidades que permitirão um maior automatismo na movimentação dos trens. Uma das características principais da plataforma Urbalis Evolution é estar integrada a um sistema de comunicação onde há basicamente três redes de comunicação, sendo uma rede cabeada interligando todas as estações, pátio e centro de controle, uma rede de rádio comunicação wireless interligando trem e equipamentos de via (IEEE 802.11 g/a - 5.8 GHz) e uma rede Etehernet interligando os sistemas do trem.

Como a tecnologia CBTC estará sendo implantada de forma integrada a outros sistemas do projeto de modernização das linhas 1, 2 e 3, como por exemplo, o sistema de transmissão digital, o sistema de monitoração eletrônica, o sistema de multimídia, o sistema de controle de portas de plataforma e o sistema de apoio à manutenção, será possível após a conclusão de toda implantação do processo de modernização de sistemas e trens, ter uma operação driverless ou manless.

Um dos grandes avanços advindos da tecnologia CBTC, que possibilita o funcionamento de uma linha em driverless ou manless, é o monitoramento em tempo real do status de todos os equipamentos do sistema, inclusive dos principais sistemas do trem, como por exemplo, sistemas de frenagem, de tração, de portas e de alimentação elétrica, permitindo assim, que as principais causas de falhas que afetam o movimento do trem possam ser prontamente diagnosticadas e corrigidas antes que uma parada do trem venha a ocorrer durante a operação comercial.

Trens modernizados voltam prontos para operar nos novos sistemas
No projeto do Metrô de São Paulo, essa monitoração será realizada pelo Sistema de Apoio à Manutenção - SAM, que terá inclusive informações relativas à manutenção preditiva de equipamentos como por exemplo, máquinas de chave, rádios, fontes de alimentação elétrica etc., e quando determinado que esses equipamentos estão funcionando de maneira diferente da prevista, um alarme será apresentado aos operadores do SAM, que poderão programar a manutenção do equipamento. A arquitetura básica do sistema CBTC que está sendo implantada das linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha possui os seguintes sistemas:

Sistema de Controle Centralizado (ATS- Automatic Train Supervision)
É composto por servidores, switches, postos de controle e redes de comunicação e é um dos sistemas fundamentais no gerenciamento de tráfego do sistema CBTC, pois toda a movimentação e regulação dos trens da via é realizada pelos servidores do ATS.

Intertravamento Microprocessado Central (CBI)
É responsável pelo controle de tráfego ao longo da linha e pela garantia de movimentação segura de trens nas regiões de manobra e de desvio, evitando colisões e descarrilamento de trens. O intertravamento Central se interliga a equipamentos deistribuídos nas estações que são responsáveis pela interface direta com os equipamentos ao longo das vias (máquinas de chave, sinaleiros, contadores de eixo, relés etc.)

Controlador de Zona (ZC)
É responsável pelo gerenciamento e controle da movimentação automática dos trens em toda a linha (ATC - Automatic Train Control), ou seja, pela determinação dos limites autorizados de movimento dos trens (MAL - Moviment Authority Limit). Um ZC tem a capacidade de controle de até 50 trens e 20 quilômetros de extensão de linha.

Controlador de Bordo
É responsável pelas funções de controle de movimentação automática (ATC) dentro do trem fazendo interface com os equipamentos de tração, de freio, de porta, da rede de comunicação do trem, equipamentos de diagnóstico do trem etc.

Centro de Controle Operacional do Metrô de São Paulo
Contadores de Eixo
É responsável por realizar a detecção secundária dos trens e veículos de manutenção na via e é necessário em situações de degradação do sistema (trem sem comunicação) e para garantia de movimentação segura dos veículos de manutenção na via.

Sistema de Comunicação contínua e bidirecional (DCS)
É composto de equipamentos de radiocomunicação (tecnologia spread spectrum de 5.8 GHz) e antenas distribuídas ao longo das vias e nos trens e é responsável por garantir a comunicação contínua e bidirecional entre trem e equipamentos de via.

Sistema de apoio à manutenção (SAM)
É composto por servidores, rede de comunicação dedicada e consoles, e é responsável por gerenciar todos os diagnósticos e alarmes dos equipamentos do sistema CBTC, dos sistemas do trem e do sistemas de portas de plataforma.

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Um comentário:

moreira disse...

Isso é muito bom, mais já foram instaladas portas de plataforma na Estação Vila Matilde a algum tempo, Mais elas ainda NÃO funcionam!

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