quarta-feira, 2 de maio de 2012

Lotação da estação Paulista já supera, proporcionalmente, a lotação da estação Sé

Estação Sé já perde proporcionalmente para a estação Paulista em número de usuários
Fonte: Estadão

A estação Paulista do Metrô completou nesta última quinta-feira, dia 26, sete meses de operação integral da primeira fase da Linha 4-Amarela, entre o Butantã e a Luz, com um feito. A estação conseguiu superar, proporcionalmente, o congestionamento da estação-símbolo da superlotação: a Sé, conexão entre as linhas 1-Azul e 3-Vermelha. A Paulista recebe diariamente 300 mil passageiros, o dobro da capacidade para o qual foi projetada: 145 mil. Pela Sé, passam 800 mil usuários, onde seriam suportados 1 milhão - há momentos de folga.

A sensação de superlotação na Paulista ocorre principalmente por causa do maior gargalo da Linha 4: o túnel que liga a parada à estação Consolação, na linha 2-Verde (Vila Prudente-Vila Madalena). Dados da ViaQuatro, concessionária que administra a Linha 4, mostram que 80% das pessoas que usam a estação Paulista passam pelo corredor - ou seja, 240 mil por dia. A ViaQuatro já estuda construir uma nova saída da estação, pela Rua Bela Cintra, para desafogar o túnel.

No tubo, ou 'corredor da morte', como já foi apelidado, há a tecnologia de esteiras rolantes para agilizar o percurso e piso tátil para deficientes. A lotação, porém, é tanta que parte desses recursos se mostrou inútil: as esteiras rolantes são desligadas no horário de pico por 'segurança' e por não suportar o fluxo de usuários espremidos na passagem. As escadas rolantes ficam direcionadas para um só sentido do túnel. O piso tátil também é inutilizado: para tentar organizar o caos no corredor, os funcionários da ViaQuatro instalam fitas divisórias bem em cima do piso para os deficientes.

''Com a operação de uma nova linha, como a 4-Amarela, conhecida como 'de integração', porque cruza três linhas da CPTM e três do Metrô, é natural que haja um novo acomodamento da rede e algumas estações fiquem mais carregadas e outras menos'' informou o Metrô, por meio de nota. Para o engenheiro civil Creso de Franco Peixoto, professor da FEI, há um descompasso entre a oferta e a demanda. ''Coloca-se a linha para funcionar e meses depois já está saturada. Por quê? Porque a capacidade de construção do metrô em São Paulo é muito menor do que a demanda'', disse. ''O tamanho do túnel é adequado. O problema é a necessidade de mais linhas.''

Medidas paliativas
Enquanto isso, para tentar amenizar o caos, a empresa tem adotado soluções imediatas. Um exemplo é a nova sinalização no piso, que pede aos usuários para esperar o desembarque do trem ao lado das portas. ''Quinze segundos é o tempo necessário para cada uma das operações de embarque e desembarque. Quando os passageiros tentam embarcar no mesmo momento do desembarque, essa operação leva cerca de 45 segundos'', disse a empresa, em nota.

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