sábado, 14 de abril de 2012

Pela segunda vez, governo põe no Metrô presidente condenado por improbidade


Fonte: Estadão



Pela segunda vez em nove dias, o governo do Estado nomeou para chefiar o Metrô um executivo condenado em primeira instância por improbidade administrativa. O nome do engenheiro Peter Walker, atual secretário adjunto dos Transportes Metropolitanos, foi anunciado ontem pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB). Sua condenação foi em 2010, mas o recurso ainda está em andamento.

Junto a outros 17 executivos, o novo presidente foi condenado por improbidade quando esteve à frente da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa), empresa de Campinas responsável pelos serviços de água e esgoto. O Ministério Público Estadual os acusou de terem contratado servidores de forma irregular entre 1988 e 1996.

Pela sentença de outubro de 2010, Walker foi condenado à perda de direitos políticos por três anos e, pelo mesmo período, proibido de manter contratos com o poder público. Além disso, o juiz Mauro Iuji Fukumoto, da 1.ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, determinou pagamento de multa equivalente a dez vezes seu salário como presidente da Sanasa. Walker apelou contra a decisão e, como o processo ainda corre, ele não teve de cumprir as penalidades.

No Metrô, o engenheiro substituirá José Kalil Neto, indicado ao posto na quarta-feira da semana passada. No dia seguinte, após o Estado revelar que Kalil Neto tinha sido condenado em primeira instância também por improbidade administrativa, o governo recuou da nomeação.

Datada de 2007, a condenação de Kalil Neto se deu por contratação irregular de escritório de advocacia quando era diretor da empresa Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa). O escritório contratado por Kalil é o mesmo que fez a defesa de Walker, indicado para a presidência do Metrô pelo secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, que também é de Campinas. "Sempre quem escolhe presidente de empresa é o secretário. Não tem política", afirmou ontem o governador Geraldo Alckmin, que disse ter aceito Walker por "sua capacidade técnica, de engenheiro eletricista, sua competência e sua expertise". "Ele já é secretário adjunto desde o começo do governo e conhece tudo de Metrô e CPTM", completou.

O Estado procurou Walker e Fernandes, mas a Assessoria de Imprensa da Secretaria de Transportes Metropolitanos disse que só o secretário falaria. Depois, informou que ele estava na estrada, sem sinal de celular. Em nota, Fernandes disse que "a condenação do engenheiro Peter Walker, em primeira instância, não constatou enriquecimento ilícito, tampouco desvio de dinheiro e verificou que os serviços foram efetivamente prestados". "Portanto, o governo do Estado age dentro da lei ao indicar o nome de Peter Walker."

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