quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O pioneiro do Metrô

Luiz Edgar Galbiate, ex-condutor. Fotos: Ernesto Rodrigues/AE e Sydney Corralo/AE-14/07/1984
Fonte: Estadão

Trinta e sete anos se passaram desde que Luiz Edgar Galbiate, sentado na frente de um painel cheio de luzes e alavancas, apertou o botão que levou aqueles sete carros a cortarem São Paulo por debaixo da terra. Era a viagem inaugural do Metrô. Com medo de que alguma coisa desse errado, o condutor se concentrava para fazer da primeira viagem a mais perfeita possível. O trajeto era apenas uma pequena avenida subterrânea de 6,4 km, ligando a Vila Mariana ao Jabaquara.

De lá para cá, esse pequeno trecho de 14 de setembro de 1974 virou uma rede de 74,3 km de extensão, divididos em cinco linhas. Os 10 mil passageiros que usaram o Metrô naquele dia hoje são 4 milhões. E, na Linha 4-Amarela, a mais moderna da rede, já não existe mais a função que Galbiate exercia na viagem inaugural. Hoje, todas as composições do primeiro ramal privatizado são controladas à distância e dirigidas por computadores.

Galbiate, agora com 65 anos, está aposentado e se mudou para Taquaritinga, no interior de São Paulo, para escapar da correria da metrópole. Na semana passada, a pedido do Estado, ele viajou até a capital e visitou pela primeira vez a Linha 4. Sua reação foi um misto de curiosidade e assombro diante das novidades – portas de vidro, bloqueios nas plataformas, vagões sem divisão e, o que atraiu mais sua curiosidade, a janelinha por onde é possível ver os trilhos. “É tudo muito bonito”, resume o aposentado.
Natural de Ibirá, também no interior, Galbiate chegou à capital em 1971. Entrou no Metrô em 1973 e só saiu 26 anos depois. “Me chamaram para ser operador elétrico, mas queria fazer alguma coisa diferente. Quando me falaram dessa vaga, aceitei na hora”, lembra.
 
Sua vida agora é muito mais tranquila do que naquela época. Aposentado há cerca de 10 anos, o ex-condutor só anda de chinelo – “esse sapato que coloquei hoje para a foto já está me matando” – e passa os dias com sua mulher ou jogando sinuca e dominó com amigos em Taquaritinga. Da capital, sua grande saudade não poderia ser outra. “Falta mesmo eu sinto é do Metrô, que era a minha vida.”

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