sábado, 5 de novembro de 2011

Monotrilho da Linha 2 começa a ganhar forma

Protótipo do monotrilho Bombardier Innovia 300, da Linha 2-Verde
Fonte: Revista Ferroviária
Reportagem: Filipe Lopes


Quem passa diariamente pela avenida Luís de Inácio Anhaia Melo, principal corredor de acesso da zona leste à região do ABC Paulista e Baixada Santista, em São Paulo, nota as dezenas de pilares de concreto de 15 metros de altura, equivalente a um prédio de cinco andares, que estão sendo erguidas no canteiro central da via. A primeira impressão que se tem é de estar sendo construída ali mais uma ponte estaiada, que virou moda na capital paulista. Na verdade, as pesadas estruturas são a base do primeiro sistema de monotrilho da América Latina, com capacidade para transportar cerca de 550 mil pessoas por dia.
O monotrilho será uma extensão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, que ligará o bairro Vila Prudente ao Hospital Cidade Tiradentes, ambos na zona leste, em um percurso de 24,6 km, com 17 estações. O sistema passará pelo canteiro central das avenidas Luis Inácio de Anhaia Melo, Sapopemba, Ragueb Chohfi, Sousa Ramos e dos Metalúrgicos, assim como pela Estrada do Iguatemi e pela rua Márcio Beck Machado. Os veículos se moverão sobre pneus em dois eixos de concreto de 4,60 metros cada (um para ir e outro para voltar), alimentados exclusivamente por eletricidade, portanto, não poluentes. Cada composição possui sete carros, com capacidade total para transportar 1000 passageiros.
O sistema de monotrilho foi a escolha do governo paulista para tentar diminuir o tempo do percurso da viagem. Hoje, feito de ônibus, o trajeto leva duas horas. A estimativa é que o monotrilho faça o mesmo percurso em 50 minutos. Atualmente, está em andamento a primeira fase do projeto, com a construção do trecho Vila Prudente-Oratório, que tem 2,9 km de extensão. Cerca de 60 pilares já foram levantados. AS vigas de concreto, com 27 metros de comprimento, 2,50 metros de altura e 1,10 metros de largura, estão sendo fabricadas no próprio canteiro de obras. Elas darão sustentação à plataforma da futura estação Vila Prudente, que será construída sobre o terminal de ônibus do Expresso Tiradentes e terá interligação com a Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo, na estação Vila Prudente.

Projeto da estação Vila Prudente do Monotrilho da Linha 2-Verde
Por passar pelo canteiro central de grandes avenidas, o monotrilho não precisará de grandes desapropriações. ''Apenas para a acomodação de centro de controle e torres de energização que são necessárias pequenas desapropriações'', afirma José Arapoty Prochno, chefe do departamento de construção civil do Metrô de São Paulo. A linha terá dois pátios de manutenção dos trens. Um deles, entre as estações Oratório e São Lucas, e o outro, entre as estações Jacú-Pêssego e Erico Semer. As construtoras Queiroz Galvão e OAS e a fabricante canadense de trens Bombardier foram as vencedoras da concorrência para fabricação, fornecimento e implantação do sistema de monotrilho de São Paulo, vencida no final do ano passado. Do total do contrato de R$ 2,46 bilhões, R$ 1,44 bilhão irá para o fornecimento dos trens. A encomenda de 54 trens (378 carros), modelo Innovia 300, sairão da fábrica da Bombardier em Hortolândia, no interior de São Paulo.
A operação comercial do monotrilho será feita em três etapas (Oratório, São Mateus e Cidade Tiradentes). O início será pelo trecho das estações Vila Prudente e Oratório, no 2º semestre de 2013. O segundo trecho trecho a ser entregue será o de Oratório a São Mateus, no segundo semestre de 2014. O terceiro e último trecho vai da estação São Mateus ao Hospital Cidade Tiradentes, previsto para a segunda metade de 2016.
O Metrô de São Paulo ainda não tem detalhes sobre o modelo de concessão de operação da linha a ser seguido. Está em estudo a criação de uma PPP (Parceria Público-Privada).

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