segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Passageiros 'invadem' elevador preferencial na Linha 4

Usuários aguardam elevador na Estação Pinheiros (Foto: Juliana Cardilli/G1)
Usuários aguardam elevador em estação da Linha 4


Fonte: G1

Mais modernas e feitas com enfoque na acessibilidade, as estações da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo têm elevadores que levam às plataformas em locais bem visíveis e práticos. Mas se engana quem acha que isso facilita o uso de quem realmente precisa deles – cadeirantes, pessoas com dificuldade de locomoção, idosos, gestantes e mulheres com crianças de colo e em carrinhos. Isso porque os elevadores acabam sendo usados mesmo por quem tem preguiça ou não gosta das escadas rolantes.

Nas estações Butantã, Pinheiros e Paulista a cena é recorrente. Basta as portas dos trens se abrirem para o desembarque e a área dos elevadores ficarem com várias pessoas esperando para acessá-los. A grande maioria delas aparenta não precisar do serviço. Na Estação Pinheiros, na manhã de quinta-feira (7), um idoso precisou abrir caminho entre os passageiros para chegar à porta. Quase não conseguiu entrar no elevador. “As pessoas são muito folgadas. Quem tem direito precisa ficar brigando para conseguir usar. Se eu não vou passando e pedindo licença, não consigo subir”, afirma Valdemar Neves.

Na Estação Paulista, os passageiros sem problemas de locomoção chegavam a esperar mais de uma viagem do elevador para acessá-lo. Para chegar até as catracas e a rua são quatro longos lances de escada rolante, acessados facilmente. O uso por quem não precisa é maior na subida – na descida, a maior parte dos usuários nesta manhã realmente tinham direito ao uso do elevador.

Em nenhuma das estações a reportagem do G1 viu funcionários orientando e fiscalizando o uso dos elevadores. Há apenas avisos sonoros. Na Estação Butantã, são três lances de escada até a catraca e mais um até a rua – pela manhã, a reportagem viu um rapaz e uma mulher que não apresentavam problemas para andar utilizando o equipamento.

Na Estação Paulista são três longos lances de escada até a catraca e mais um até a rua. Na manhã da quinta, uma mulher com uma criança de 2 anos e uma idosa com dificuldades para caminhar reclamavam da falta de respeito dos passageiros. “Acabou de subir lotado, com várias pessoas que não precisam, e eu não consegui ir. Estou com a menina. É perigoso nesse monte de escada. Quando estou sozinha vou de escada mesmo, sem problemas”, afirmou a dona de casa Maria Gomes.

“Se eu for de escada demoro muito, atrapalho as pessoas, e fico com medo de cair. Mas aqui no elevador também está difícil, pois tem que ficar esperando quem não precisa dele usar primeiro”, disse a aposentada Filomena Faria.

Quem não precisa usar o elevador tenta dar justificativas por optar por ele no lugar das escadas. “Venta muito, e tem muita escada. Vai mais rápido de elevador. Quando tem pessoas com problema de locomoção, a gente deixa passar na frente”, disse uma jovem que não quis dar seu nome. Entretanto, logo depois, uma idosa que também tinha dificuldades para caminhar quase não conseguiu entrar no elevador, que já estava cheio – e ninguém saiu para lhe dar mais espaço.

A ViaQuatro, concessionária responsável pelas estações e pela operação da Linha 4, informou que o uso do elevador é livre por qualquer pessoa na ausência de quem tem uso preferencial, mas que os usuários que se sentirem prejudicados podem solicitar apoio dos agentes da empresa.
A concessionária também afirmou que desenvolve uma campanha educativa de orientação sobre a prioridade no uso dos elevadores, que deve ficar pronta em 30 dias.

Integração
Outro problema enfrentado por quem usa a Linha 4 é a integração com a Linha 2-Verde, por meio da estações Paulista, da primeira, e Consolação, na segunda. As duas estações ficam próximas, são independentes, mas têm uma interligação por meio de corredores, escadas e esteiras rolantes. Esses equipamentos, entretanto, muitas vezes são desligados mesmo em horários de pico, retardando ainda mais a passagem dos passageiros.

Na manhã desta quinta-feira (6), a reportagem do G1 fez a passagem entre as duas estações duas vezes, nos dois sentidos. Saindo da Estação Consolação para a Paulista – trajeto de menos fluxo no horário, mas também cheio, passou por uma esteira parada. Na volta, o caminho, que pode ser feito em três minutos, levou seis, o dobro do tempo. Além da imensa quantidade de passageiros, havia uma esteira e uma escada rolante – para subida – paradas.

“Isso acontece todos os dias. Eles param do nada, não explicam por quê. Deve ser para o pessoal ir mais devagar mesmo e não acumular lá na frente. Mas é difícil, você está com pressa e não consegue passar, muita gente fica parada na esquerda das escadas”, disse o estudante Felipe Augusto. “Às vezes da vontade de ir pela rua para ver se vai mais rápido. Pelo menos não tem esse tanto de gente. Devia ter mais espaço, tem umas áreas muito apertadas aqui”, afirmou a auxiliar de escritório Roberta Alves.

Procurada, a ViaQuatro não informou o porquê do desligamento das esteiras e escadas rolantes, mas disse que o Metrô e a concessionária irão otimizar o funcionamento dos equipamentos alterando seus sentidos de acordo com o fluxo ao longo do dia. A concessionária também informou que vai reforçar as comunicações visual e sonora no trecho, além de aumentar o número de funcionários que orientam os passageiros.

Redução no fluxo
As novas estações da Linha 4, entretanto, levaram impactos positivos para o restante da rede. Cerca de três semanas após a inauguração das estações República e Luz da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo, passageiros que passam pelas estações Sé e Paraíso, sobrecarregadas com a implantação da Linha 4, relataram ter percebido uma diminuição no fluxo de passageiros. O prolongamento da mais nova linha de Metrô da cidade fez com que os passageiros que saem da Zona Oeste da cidade não precisassem fazer baldeações nas linhas 2-Verde e 1-Azul para seguir para o Centro.

Segundo o Metrô, a redução do fluxo de passageiros observada desde a inauguração das novas estações, no dia 15 de setembro, foi de 12% na Sé e de 30% no Paraíso.

Quando só havia as estações Butantã, Pinheiros, Faria Lima e Paulista na Linha 4, quem precisava seguir de Metrô do Butantã até o Centro da cidade devia descer na Paulista, fazer a integração com a Linha 2 na Estação Consolação, seguir até o Paraíso, pegar a linha 1 e então seguir até a Sé. Quem seguia da Zona Leste para a Avenida Paulista precisava descer na Sé, ir até o Paraíso e só então seguir pela Linha 2. Com isso, as estações Paraíso e Sé – esta com integração com a Linha 3-Vermelha – ficavam sobrecarregadas. Agora, que é possível ir do Butantã à Luz em uma única linha, a situação melhorou.

“Está mais vazio aqui na Sé, e também na Estação da Luz. Cheguei até a comentar com meus colegas como está mais fácil de circular. Na parte da tarde eu pego o expresso para Guaianazes – o trem continua cheio, mas a estação está mais vazia”, afirmou o ourives Marcelo Marques Miranda, que segue todos os dias de Itaquera até a Sé.

“Normalmente aqui a essa hora [7h] é muito mais cheio, quase não dá para passar. Agora dá para circular. A interligação para a Linha Azul está mais tranquila. Fácil mesmo de pegar o Metrô ainda não está, mas já melhorou”, disse a doméstica Marta Lima, que segue todos os dias do Itaim Paulista, na Zona Leste, para a Saúde, na Zona Sul.

Os passageiros que circulam pela Sé fizeram questão de deixar claro que o Metrô continua cheio. “Antes não cabia nem uma agulha mais. Agora, de umas semanas para cá, melhorou um pouco. Continua cheio, mas está mais fácil de circular”, contou a operadora de caixa Maria Sales.

Na Estação Paraíso, que tem duas linhas – 1-Azul e 2-Verde – os passageiros também relataram uma melhora na quantidade de pessoas circulando. “Eu venho do Jabaquara até o Paraíso todos os dias, e está mesmo mais vazio e mais tranquilo. Está mais fácil de andar, de pegar o trem”, afirmou a cuidadora de idosos Neuza Maria. “Quando inaugurou a primeira parte da Linha Amarela aumentou muito o fluxo por aqui. Agora melhorou um pouco. Não é o ideal ainda, mas já está mais sossegado”, disse o vendedor Nelson Faria.

4 comentários:

Daniel disse...

Nossa. Mas que mal exemplo desse povo em? Teve uma vez que numa estação da CPTM, várias pessoas que não eram deficientes físicas, entraram no elevador. Fiquei muito indignado e deu vontade de dizer para todas elas: Olha só, os falsos deficientes físicos.

O que me assustou mesmo, foi de ver as pessoas esperando mais de uma viagem para usar o elevador.

Povo folgado mesmo!

Ronaldo Justo disse...

Isso só acontece no Brasil...
Absurdo, mas temos que infelizmente nos acostumar com povo folgado, principlamente aqueles que sentam nos bancos preferênciais e não saem ou dormem quando vem gente que precisa...

Daniel disse...

Pois é, como o pessoal diz, é o famoso jeitinho brasileiro.

Por isso que este país tem dificuldades para ir para frente.

Stephanie disse...

Olha eu pago 3,00 por essa merda de transporte publico... Se não tem deficientes gestantes idosos vou de elevador mesmo ... Eu to pagando e pra usar.... Nos cidadãos somos troxas .... O governo do lembra de nos na hora da eleição ... Agora calculamos 3,00 reais de cada pessoa que tem nas estações ... São mais de 2 milhões de pessoas que pega o transporte publico todos os dias ... Calcula isso vezes 3 todossssd os dias mais de 6 milhões de reais por dia isso contando só a ida ao trabalho fora a volta 12 milhões de reais por dia.... E aí o que vcs acham onde vai toda essa grana??????? Isso queridos e por dia por dia !!!! E com essa grana da pra comprar mtos elevadores não apenas 1 como tem e pequeno ....

Eu uso sim o elevador e vou continuar usando ....

Engraçado se vc for parado de carro com 4 pessoas no seu banco traseiro vc é multado ... Mas os ônibus que parece uma lata de sardinha pode neh.... Pq será??? Pq é do governo neh.... Só o peixe pequeno (nos) somos prejudicados ....

Agora não me vem me falando de direitos..... Que meus. Queridos aji nesse país e cada um por si ....

Se o governo o estado não pensa em mim não sou eu que vou pensar nos outros ....

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