terça-feira, 28 de junho de 2011

Portas de plataforma apresentam problemas na Linha 2-Verde

Porta de plataforma isolada: equipamento falhou por completo

Texto e imagens: Diego Silva

Durante visita noturna à Linha 2-Verde, nos deparamos com uma situação no mínimo curiosa. As portas de plataforma da estação Tamanduateí dessa mesma linha estavam apresentando problemas. Já se notou algo diferente na saída de Sacomã, onde o trem em que estávamos embarcados (Alstom Milenio E05) demorou consideravelmente após dar partida da estação, parando por duas vezes no trajeto. Após estacionar na estação Tamanduateí, nada de anormal, até que o trem aciona os mecanismos de fechamento de portas. E começa uma das cenas mais complicadas (porque não, bizarras?) que já vi nesses trilhos: as portas de plataforma travaram, e um OPE (agente operacional) começa a correr desesperado, isolando as portas para não complicar a circulação dos trens. Completada a saída do trem, outra composição já estava na cola, e estacionou... Fiquei observando para ver o que aconteceria, e um verdadeiro caos tomou conta daqueles aparelhos: 8 portas travaram, dando um completo nó no agente operacional, que corria igual louco, para tentar isolar as portas e trazer a normalidade. Após pedir ajuda na SSO, o agente olhou para nós, e disse: ´´Essas portas são uma droga``. Após a saída da composição, simplesmente todas as portas estavam isoladas, sendo que o equipamento generalizou em falha.

Portas de plataforma em Tamanduateí: Equipamento falhou por completo, atrapalhando a operação

Durante uma discussão sobre o assunto com algumas pessoas ligadas à ferrovia, chegou-se a uma conclusão: São Paulo está preparada para tanta tecnologia nos transportes? Esse episódio em Tamanduateí pode ter sido um caso isolado, e por sorte, já estava no final da operação comercial da estação (que funciona das 04h40 as 21h, por conta de testes). Agora, se isso acontece no horário de pico da manhã? A linha sofreria problemas sérios, pois a segurança dos usuários está em primeiro lugar. Na época de seu lançamento, as portas de plataforma foram vistas como grandes aliadas contra quedas e acidentes nas plataformas, mas após ver o que aconteceu em Tamanduateí, notou-se que não é uma boa ideia. Em Vila Matilde (Linha 3-Vermelha), as portas estão montadas há quase um ano, e não estão em funcionamento, graças à falência da indústria responsável por elas (Trends).
Imaginem vocês, um sistema de portas de plataforma na estação Sé... Em horário de rush, essas portas travam, como travaram em Tamanduateí... Seria uma destruição em massa.
Os usuários de São Paulo não estão prontos para tais tecnologias, e muitos tem medo de utilizar essas inovações, por estarem acostumados com o convencional. A Linha 4-Amarela é um exemplo: a operação driverless não traz segurança a algumas pessoas, que ainda são acostumadas com o operador na cabine, da maneira mais tradicional.
O pensamento do usuário tem que evoluir para as novas tecnologias, mas os equipamentos também tem de ser instalados de maneira uniforme, onde funcionem corretamente. O Metrô é pioneiro em diversas aplicações tecnológicas e construtivas, e não pode se dar ao luxo de sofrer falhas como essas, pois os usuários de hoje são informados e críticos. Todo e qualquer problema pode jogar todo um planejamento pelo ralo em questão de minutos.

2 comentários:

Deivid de Foggi disse...

Acredito que o comentário de que São Paulo não está pronta para receber tal tecnologia é no mínimo infeliz, para não dizer ridículo! Se houve falha com certeza é decorrente de ação ou falta de ação humana! São Paulo necessita imediatamente de portas em todas as plataformas, e é simplesmente "tosco" ver aquelas portas há tanto tempo na Vila Matilde sem uso. Finalmente confirmei a grave falha do Metro de São Paulo ao licitar com uma empresa que está falindo!!! Gosto muito do Metro e ele me orgulha muito, porque é de longe o melhor do Brasil, e sempre faço o possível para defendê-lo, mas em alguns pontos peca muito, obviamente que essas falhas podem ser decorrentes de administração do Metro ou do Governo. Mas sob hipótese alguma devemos culpar a população de não estar preparada. Uso diariamente a linha 4, que acredito estar dando um banho de qualidade no Metro, e isso é bom, porque os níveis de ambas ficaram elevados! Sobre o sistema Driveless, simplesmente não ouço nada dos passageiros, entram, lotam a composição e nem reparam muito. A precisão é ótima, não existem paradas entre as estação (é claro que agora com horário estendido o sistema será colocada à prova) e a agilidade me parece maior. Para finalizar (rsrsrs) parabenizo vocês pelo ótimo site e fonte de informações sobre as ferrovias da nossa cidade, ótimo trabalho informativo!!!! Já está no favoritos!!! Abraço!

Diego Silva disse...

Olá Deivid! Estou diariamente no sistema de transporte ferroviário paulista, e conheço cada problema, de cada linha. Citei que SP não está pronto para receber tal tecnologia, porque a demanda é gigantesca, e qualquer probleminha pode causar uma revolução geral. Mas claro que toda tecnologia é bem-vinda, vindo para ajudar.
A Linha 4 foi preparada para ser a mais tecnológica, isso é notável. Mas a tendência é que tudo seja assim daqui para frente.

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